Filtro dos Sonhos

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Primeiro texto de 2014 (e primeiro post).

 Que por coisa alguma nesse mundo, deixemos de batalhar pelo que queremos. Que desânimo algum seja suficiente para nos parar. Que tudo o que florescer, seja regado. Na janela do quarto há um filtro dos sonhos. Mas não desses de quando dormimos. Há um filtro dos sonhos que se sonham acordada. Esses, que se não sairmos da cama, não serão realizados. Esses, que nascem gradativamente no coração. Então, mocinha, levante-se daí. Tem muita gente lá fora. E toda essa gente também sonha. Coloque sua roupa mais confortável, solte esse cabelo, passe um batom nude e vá. Vá, porque o tempo não te espera. Vá porque seu sonho está correndo. Corra atrás dele, moça.

Anote tudo num bloquinho para não deixar nada para trás. Até os devaneios mais vagos. E se te perguntarem por que, responda: porque sim. Pois não há justificativa maior que o sim que está dando para si mesma. Corra contra o tempo. Ou melhor, corra mais rápido que o tempo. Porque, quando ele passar, muitos dos seus sonhos terão passado também, e você os terá dado tchau. Abrace tudo isso, menina!

Não esqueça que tudo não passa de uma grande aventura. Não esqueça que não tem script. Improvise. Escreva você mesma os seus textos. Ria da sua própria tragédia. O palco é seu. A vida é sua. Ninguém pode te privar dela. E mais: no final, lembre-se que é só mais um início. É só mais um re. Começo, novo, encontro.

Coloque o coração em tudo que fizer (ou então, nem faça). A mudança está aí dentro.

Carta às minhas (quase) paixões de 2013

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Dê play e leia (principalmente se você for uma dessas paixões).

Obrigada a vocês que, sabendo ou não, correspondendo ou não e sendo sempre cafajestes, foram as minhas quase paixões de 2013. Caso não saibam, me fizeram escrever mais, ganhar alguns elogios, perder umas noites de sono e usar minhas melhores roupas. Há o que durou uma dança. Esse, inflou o ego após receber uma carta real (me arrependi no mesmo dia, mas hoje até rio). Após o tombo e alguns textos escritos, eu já estava pronta para outra. SMSs trocados, beijo quase roubado, dúvida cruel e pré decepção. Dessa vez, fiz questão de mandar mensagem dizendo estar tudo acabado antes mesmo de começar. No dia seguinte, lá estava eu ouvindo música melancólica e postando indiretas no Twitter. Decepções fazem eu me comportar como uma adolescente normal.

Assisti a uns episódios de uma série antiga, dessa vez, em ordem. Estar plenamente em paz, me incomodava profundamente. Senti-me entediada não lembrando de ninguém enquanto escutava Manu Gavassi. Rabisquei algumas folhas soltas de uma agenda velha, fiz alguns rascunhos. A agonia de estar apaixonada era bem mais interessante que aquele caos pacífico (contraditório, porém real). E, numa quinta-feira chuvosa, apareceu quem, futuramente, bagunçaria tudo. Vejamos pelo lado bom: ele me apresentou um cover incrível de uma das músicas que mais ouvi na infância. Pegou-me de surpresa e, quando vi, já estávamos na beira de uma praia deserta, de mãos dadas. Ficou por pouco tempo e saiu sem avisar. Tive vontade de mandar todos os textos do Daniel Bovolento com um recado: “lê isso e vê se aprende”. Fez com que chamasse-o mentalmente de moleque umas 50 vezes, mas me fez amadurecer em relação a muitas coisas, principalmente, a mim mesma.

É claro que eu poderia ter evitado minimamente 90% das desilusões que vivi, mas uma hora ou outra teria que passar por elas. E se todos vocês não tivessem existido, eu não teria aprendido o tanto que me ensinaram sendo príncipes e ogros. Eu tenho minha parcela de culpa por não termos dado certo, assumo. Sou crítica, inconstante e exigente, não faço questão de esconder. Hoje, digo: eu não mudaria nada do que vivemos. Talvez tivesse pedido para trocar a música do carro para a que dizia o que eu não tinha coragem, é verdade. Ou quem sabe dito: o texto é meu, por que você está se gabando? Quem sabe  não iria aí na sua casa para você explicar do seu jeito aquilo que não lhe dei oportunidade de falar? Mas, hoje, eu lhes escrevo para dizer que já foi. E que vocês foram parte do meu ano, da minha história. Se, de repente, eu ligar me declarando ou se escapar um comentário na foto antiga, saibam que eu estou bêbada (mesmo sem beber). Agora, abertamente e sem negar, dedico a vocês, todas essas palavrinhas. Obrigada por tudo que me fizeram aprender, mesmo que, chorando no tapete do quarto ou conferindo o horário da última visualização no WhatsApp. Eu os desculpo por serem tão idiotas, sem problemas.  Boa sorte na vida.

Incêndio

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Ao ler esse texto, ouça “Como Eu Quero” – Kid Abelha.

  Você é insistente e isso me irrita, tipo, muito. Porque se eu digo não, é não. Essa de persistir em mim só vai te levar a conseguir o que quer: eu. E eu resisto enquanto posso. Faço-te de gato e sapato, brinco de Mulher Maravilha, te desprezo sem dó nem piedade. Ajoelha, beija meu pé, dá a patinha. Não que eu seja insuportavelmente dominadora. Apenas adoro assistir sua decadência e saber que sou eu o motivo dela. Saber que o cara mais conquistador cai aos meus pés, enquanto eu dou de ombros, me arranca boas risadas. Porque, meu bem, se eu sou a única coisa que você quer e não pode ter, eu quero, por um bom tempo, continuar sendo. Não que eu torça contra. Preciso continuar me mantendo no posto de “uma das coisas que você mais quer”, entende? Se é capricho, dane-se. Eu não sou o seu?

Você é gasolina. Altamente inflamável. Eu sou pólvora. Nós dois, juntos, representamos nada mais, nada menos que um grande perigo. Então, deixe-me quieta. Afaste-se de mim. Desiste, vai. É bem mais aceitável ouvir que você desistiu a ter de assumir que eu não resisto, que eu quero e não é pouco. Capricho por capricho, que vença o meu. Pois, se te conheço bem, assim que eu me render, seu sonho de consumo passará a ser outro e eu não abro mão de ter esse título.

Eu te odeio e não faço a menor questão de esconder. Você me causa ódio e desejo, na mesma proporção. Então, cai fora. Saia espalhando que eu sou muito difícil e que, mesmo você fazendo tudo que estava ao seu alcance, eu não dei a mínima. Ou simplesmente saia, em silêncio. Só não queira saber o perigo que somos juntos. Só não queira imaginar o incêndio que causaríamos. Meu medo não é o incêndio, é virarmos cinzas. Deixa pra lá. Deixe-me.

Nas nuvens do nosso edredom

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Amanhã, quando eu acordar, esteja aqui na minha cama, como se nunca tivesse estado em outro lugar. Continue adormecido, deixe-me admirar seu jeitinho de bebê para dormir. Deixa eu te fazer cafuné e esfregar minha pele de seda na sua barba por fazer e, se acordar, permaneça de olhos fechados, fingindo não saber que está sendo cuidado. Dê um pulo, me assuste e me sufoque com beijos, me faça desistir da praia, do shopping, do salão às duas, para continuar aqui.

Uma hora é pouco para eu entender o que aconteceu, eu sei. Nem esses meses me fizeram compreender. Ok, eu fico. Há muita coisa para entender ou desentender de vez.

“Só precisava provar para mim mesmo que eu não sei viver sem você. E consegui. Porque, caso contrário, eu não estaria aqui. Precisava mostrar que não era apenas impressão minha que você é a mulher da minha vida e que nenhuma outra vai conseguir unir tanta pureza, sensualidade, um pouco de Lispector e Madonna, de doçura e essa pose de brava e corajosa que nem as mulheres de 30 têm. Precisava notar que garota alguma conhece a riqueza que há em Leminski, nem saberá deslizar a ponta da caneta no papel e encantar, escrever, compor, descrever, decompor um amor e recompor uma canção, como você.

 E mais que qualquer outra coisa: eu precisava saber se essa moça tão solta, tão dona de si mesma, tão leve, mesmo nascendo para ser livre, ia querer voar ao meu lado. E isso, eu descobri a cada texto dramático no blog, a cada indireta nas redes sociais e a cada música de recém solteira que você postava. Eu fiz falta, eu sei. Voa comigo, porque essa história de ter os pés no chão não está com nada.”

Entender é o exercício de esperar que as coisas se expliquem. E o amor, ah o amor! Esse é inexplicável. A partir de hoje, substituo a palavra “andar” por “flutuar”.

Antes de Outubro acabar

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 Essa sou com minha mania de fazer listas para lembrar (e até para esquecer) as coisas: praia pela manhã e ficar com a marca do biquíni; pintar as unhas dos pés e das mãos de vermelho; terminar o livro que estou lendo; comprar uma revista nova; ir ao cinema e realmente prestar atenção no filme inteiro (como se isso fosse realmente possível para mim); hidratar o cabelo, que pintei pela milésima vez; estudar para o ENEM; distrair minha própria ansiedade com alegria ininterrupta; gravar os vídeos que venho prometendo há um ano; pesquisar preços de tatuagem; usar menos maquiagem; tomar mais água; continuar fazendo o certo sem me importar com o que pensam; me dedicar aos ensaios dos trabalhos escolares; sair para fotografar pela cidade; parar com o ciclo vicioso Facebook-Twitter-Instagram-WhatsApp e escrever cartas; sair para dançar com as amigas; comemorar o fato de ter conhecido a Disney há um ano (dia 27 <3); aproveitar feriados; orar mais; não fazer nada por obrigação, colocar uma pitada de amor em tudo que falo/ faço/ escrevo e cumprir tudo isso antes de Outubro acabar.

Dia das Crianças

 

Acordei às dez, um pouco mais cedo do que acordaria num outro feriado qualquer. Não é que eu seja tão dorminhoca assim, eu durmo tarde, ainda mais quando a Mayra está aqui. Brincamos a madrugada toda e dormimos no pouco espaço que restou no meu quarto sem brinquedos espalhados. No fundo, já sabia o que ganharia da minha avó. Fui eu mesma que escolhi: boneca bebê. A surpresa sempre fica por conta da minha mãe, isso quando ela não se rasga por dentro de tanta ansiedade e me entrega o presente três dias antes.

Dessa vez, sei lá por que, ela conseguiu manter em segredo. Acho que nenhuma palavra descreveria minha alegria ao ganhar aquelas casas da Barbie. Todas de madeira e pintadas à mão pelos meus pais, de rosa e roxo. Ganhei Barbies e a Mayra também. Nossa primeira reação foi sair pela casa catando tapetes para forrar na sala e fazer nosso condomínio da Barbie. Varamos madrugadas. Odiava a hora de me despedir da minha melhor amiga. Era um “tchau” como se o próximo final de semana não existisse. Doía me separar a cada domingo dela. Mas na sexta, esquecíamos o mundo: existiam para nós apenas um quartinho cor de rosa e a infinidade de pessoas que podíamos ser em nossas brincadeiras. Infância, doce infância.

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Ana Livia (prima-irmã) e eu, aos 4 anos

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Eu (3) e Mayra, minha melhor amiga (6)

 Narrei, misturando os fatos de alguns anos, como era o meu Dia das Crianças. Escrever sobre isso e rever as fotos me trouxeram uma nostalgia que não sei se é boa ou ruim. A infância traz um misto de sentimentos e lembranças. O ruim é saber que essa fase acabou. Me lembro de até uns dez anos de idade, dizer: “eu não quero crescer”. Com o tempo, só percebi o quanto estava certa ao dizer isso. Não que eu não goste de ser adolescente, de ter amadurecido (até um pouco além da minha idade, inclusive). O que causa a dor não é o fato de ter crescido, e sim, perceber que hoje eu encaro o mundo de outra forma. Aquela doçura e inocência da infância, ainda tento conservar. Encarar que as outras pessoas é que perderam isso, me faz querer criar uma máquina do tempo.

 Cada um tem o seu tempo de crescer e de ser crescido. São coisas diferentes. Acho que agora estou passando pela tal crise de identidade que todos passaram ou passarão um dia. E isso é criar um elo entre o passado e o futuro. E, vou te dizer ó: dói.

 Feliz dia das crianças. Conserve isso! Crianças são sinceras, esperançosas, doces e inocentes. Falta de atitude tem outro nome. Por isso, não tenha vergonha de ter um espírito infantil. Até diria que, hoje em dia, isso é para poucos, mas na verdade, é para quase ninguém.

O que a mulher ao seu lado quer

[Dê o play e leia até o final. Depois, manda esse vídeo para ela]

Ei, você é cego? Surdo? Ela precisa ter legenda? Se toca, cara. Ela fala, grita, se esgoela e você não ouve. Logo ela que, sempre, independente do cansaço, do trabalho, dos cachorros para cuidar, te ouviu. Ela, que foi psicóloga, analista, mãe, irmã, melhor amiga. A única que, sei lá por que, enxergou seus sentimentos e quis saber deles, te deu a oportunidade de falar.

Não, ela não estava nem aí para o seu carro, para as baladas que você poderia pagar. Essa ruiva aí na sua frente só queria reciprocidade. Não, não ia te prender num relacionamento, não ia te perguntar quando começariam a namorar, ela não estava apaixonada. Ela queria (e merece, sejamos sinceros) receber na mesma proporção, ou até mais, a atenção que lhe deu.

Essa mulher não é indecifrável. Ouça-a. E se ela não falar, pergunte. Você sabe que ela priorizava te ouvir, já que era a única que ainda se prestava a isso. Pergunta sobre o dia, dos romances que ela lê (caretices, no seu dicionário), peça para ler um dos seus textos. Não esses que ela publica. Peça para ler um texto a mão, conheça a letra dela. E sobre a família, já perguntou? Superficialmente. Insista, pergunte de novo. Persista nela, brother.

Quer saber? Ela estava cheia de problemas enquanto te aconselhava. A vida dela está umas três vezes pior que a sua. Não estou falando da vida amorosa, não. Só não te conto o que é, porque você, minimante, tem que discar o número dela agora e mandá-la descer para vocês conversarem. E a deixe falar, esquece a hora. Ela já fez isso tantas vezes e você nunca notou. Essa mulher não queria nada além da sua amizade e do que viesse através dela. E vá me desculpar, mas qualquer cara inteligente teria entendido que esse silêncio todo era um “mostre que se importa com o que se passa aqui”.

Vai por por mim: independente de a querer como amiga, namorada, amante, mais-uma-das-que-peguei, retribua a preocupação. O que a mulher ao seu lado quer, é apenas isso. Depois que você tiver sugado tudo o que ela, subliminarmente, tentou falar, a abrace. E deixa o resto pra amanhã.